• Cefas Alves Meira

Emanuel deixa a Itatiaia, encerrando era de 69 anos


O jornalista começou na emissora coimo office-boy, aos 13 anos de idade

Quanto dura uma era? Depende. A era Carneiro na Rádio Itatiaia começou em 1952, com a fundação da emissora por Januário Carneiro, e encerrou-se na última sexta-feira, 30 de julho, quando o irmão de Januário, Emanuel Carneiro, fez sua despedida oficial da empresa, apresentando o último “Turma do Bate Bola”, programa esportivo que vinha comandando há décadas.


Emanuel, que vendeu a Itatiaia em maio para o empresário Rubens Menin, dono do Grupo MRV e da TV por assinatura CNN Brasil, disse na ocasião que ficaria no “Bola na Área” até dezembro. Mas decidiu antecipar sua saída, passando a dedicar-se exclusivamente à Rádio Extra FM, que pertencia à Radio Itatiaia mas não foi incluída na transação, que teria ficado em cerca de R$ 120 milhões. Na direção-geral da Itatiaia foi escolhido e empossado em maio por Menin o publicitário e administrador de empresas Diogo Gonçalves.




Fundada em 1952

Um texto divulgado sexta-feira pela Itatiaia, comunicando a saída antecipada de Emanuel da emissora, faz uma retrospectiva, revelando que, um sonho de Januário Carneiro, a emissora foi fundada em 1952. Quatro anos depois, quando Emanuel Carneiro tinha 13, ele iniciou sua trajetória na emissora como office boy. Foi ainda operador de som, plantonista esportivo, repórter, redator, programador musical, diretor artístico, diretor de operações e diretor-presidente, cargo que ocupou de 1994 a 2021.


Uma função conquistada pela excelência do trabalho na Itatiaia foi a presidência da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), após ter ocupado vários outros cargos na entidade.


O comunicado da emissora diz ainda que o posto máximo na Rádio Itatiaia foi encarado como desafio, diante da missão de substituir o seu irmão e mestre Januário Carneiro, que faleceu em 1994.


“Desde 1952 até os dias de hoje, a Itatiaia esteve presente em todos os momentos de drama e de alegria que marcaram a história do povo mineiro. Cobrou, elogiou, criticou e, julgando que tinha esse direito, adotou como slogan a frase que se tornou verdadeira declaração de princípios: A Rádio de Minas”, escreveu Emanuel no prefácio do livro “Uma paixão chamada Itatiaia”, escrito por Eduardo Costa e Kao Martins em 2002.


O papel de Emanuel Carneiro nesta conquista não foi apenas na direção, mas também vivendo diariamente a redação e o estúdio, pois de segunda a sábado era dele a apresentação da Turma do Bate Bola, programa de maior audiência do rádio mineiro. Até 2016, a Grande Resenha Esportiva, nas noites de domingo, teve o seu comando. As eleições, uma paixão, também contavam sempre com Emanuel ancorando as apurações.


No livro “Enciclopédia do Rádio Esportivo Mineiro”, Emanuel Carneiro destacou a simbiose da emissora com os ouvintes, que resultou na liderança absoluta de audiência. “A todo dia, minuto a minuto, a Itatiaia apostou muito em cobertura, ela comprou muitas brigas, em épocas em que não havia tanta liberdade de imprensa como existe hoje. Então o público torceu sempre pela Itatiaia, sabendo que é uma coisa mineira, que luta pelas coisas de Minas Gerais, que existe uma competência muito grande no seu conteúdo e naquilo que ela coloca no ar”.


Além da luta pelas coisas de Minas Gerais, há algo a mais na Itatiaia: o ensinamento do irmão e mestre seguido por Emanuel Carneiro, que parece simples, por se resumir a três palavras, mas tem grande complexidade.


“Ninguém melhor que Januário entendeu a força desse veículo, que é feito de talentos, equipamentos e anúncios, nesta ordem”, escreveu Emanuel, no prefácio do livro pelo cinquentenário da rádio.


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