• Cefas Alves Meira

Opinião. A bicicleta de Einstein e o cavalo de Bezos

Gino Murta*


Em 15 de abril de 2021, Jeff Bezos, o homem de US$ 198 bilhões e fundador da Amazon, publicou a última carta, enquanto CEO do e-commerce, de uma série de correspondências enviadas a seus acionistas, e compartilhou o seguinte pensamento: "Se você quer ter sucesso nos negócios e na vida, precisa criar mais do que consome. Seu objetivo deve ser criar. Qualquer negócio que não crie valor para aqueles com quem interage, mesmo que pareça bem-sucedido na superfície, não fica por muito tempo neste mundo. Está de passagem". A primeira carta foi disparada em 1997. Bezos já havia falado sobre sua expectativa de criar uma franquia duradoura, ressignificando os serviços prestados aos clientes e potencializando a capacidade da internet para desenvolver mercados e negócios. Ele afirmou que a Amazon havia crescido de 158 funcionários para 614 já nos primeiros movimentos, e a empresa já estava ultrapassando a marca de 1,5 milhão de clientes naquele momento. Desde 1994, Bezos e seus executivos produziram uma espécie de manual próprio, estabelecendo princípios para gerar cada vez mais valor e fazer do atendimento ao cliente uma verdadeira "obsessão". Com essas convicções, a empresa agiu estrategicamente. Em 2020, a Amazon, responsável pelo sistema logístico mais sofisticado que a humanidade já conheceu, chegou a 1,3 milhão de funcionários no mundo, 200 milhões de clientes com assinaturas de fidelidade prime e mais de 1,9 milhão de pequenas e médias empresas que comercializam produtos em sua plataforma. Os números invejáveis são baseados em princípios próprios, desenvolvidos e praticados ao longo do tempo, e didaticamente descritos por Steve Anderson, no livro "As cartas de Bezos", onde o autor sintetizou os conceitos responsáveis pelo sucesso da empresa. Ao ler a obra, é possível deduzir que esses princípios são inspiração para toda e qualquer organização. No entanto, não são uma receita de bolo. Não basta ler o livro para se tornar o dono do negócio mais próspero do mundo ou fazer com que sua empresa tenha valor de mercado maior que o PIB do Brasil. As empresas e seus dirigentes devem construir o seu "manual dinâmico de crescimento" e o seu "tratado de perpetuação e sobrevivência". Algo parecido com o que aprendemos ao andar de bicicleta pela primeira vez. Com certeza, cada qual teve uma história e mindset próprios para criar sua metodologia de equilíbrio em duas rodas, baseada na realidade, no contexto e naquelas circunstâncias. É essencial, ao analisarmos o sucesso da Amazon, ter sempre em mente que não existem fórmulas prontas. Jeff Bezos, por exemplo, recebeu US$ 300 mil de empréstimo dos pais para iniciar seu negócio em 1994, mas teve méritos indiscutíveis ao "cavalgar em um garanhão que passou já arreado", mas que só ele o enxergou dessa forma, naquele momento. Além do mais, "as oportunidades nunca são perdidas; alguém vai aproveitar as que você perdeu", lembrando Shakespeare. Bezos fez a distinção precisa entre modismo, tendência e megatendência, pois se manteve conectado à essência do marketing, conceituado inicialmente por Peter Drucker e depois consolidado por Philip Kotler. Para eles, o marketing é um processo de gestão pelo qual as pessoas obtêm o que desej am e necessitam, por meio da oferta e da geração de valor pelas empresas. Tão simples, tão complexo e, ao mesmo tempo, tão particular, pois cada empresa tem o seu próprio DNA, mas é regulada, no mundo dos negócios, por uma lei inexorável, onde a única constante é a mudança. Imperecível, até mesmo para a Amazon. Ela deve manter os olhos abertos, o Google e nós também, pobres mortais do mundo dos negócios e do marketing. Tenhamos Einstein como inspiração, ele diz que "a vida é como andar de bicicleta. Para manter o equilíbrio é preciso se manter em movimento". E não deixemos de considerar também a reflexão do jornalista Caio Fenando Abreu, que abrasileirou o conceito: "A vida é como andar de bicicleta: quando você perde o medo, aprende e está indo bem; Deus diz: ok, agora sem rodinhas".

*Gino Murta é Diretor de Mercado da Partners Comunicação

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