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Filha jornalista presenteia pai jornalista reeditando seu livro 

  • Foto do escritor: Cefas Alves Meira
    Cefas Alves Meira
  • 13 de ago.
  • 5 min de leitura

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A jornalista Cristina Moreno de Castro presenteou seu pai, o também jornalista José de Souza Castro, no último domingo, Dia dos Pais, com um mimo todo especial: versão impressa e nova cara digital do livro “Sucursal das Incertezas”, escrito pelo pai em 2007.

 

Publicado também no blog kikacastro.com.br, Cristina observa que a obra é “leitura obrigatória para quem se interessa por jornalismo e pela história do Brasil”.

 

Fã do pai

Cristina Moreno de Castro inicia o post no blog afirmando ser fã declarada do pai (este escriba também o é). Abaixo, o texto, emocionante, na íntegra.

 

“Para mim é um grande privilégio dividir este site com ele há 15 anos (e, antes dele, o blog Tamos com Raiva, por outros cinco anos). Como entrei na profissão quando ele já estava se aposentando, não tive a sorte de poder trabalhar junto ao meu pai em uma redação, como minha irmã Viviane Moreno teve.

 

Então o blog ficou sendo minha oportunidade de aprender com meu pai, na prática, sobre jornalismo, senso crítico, leitura, análise política, História do Brasil, pluralismo, questionamento, ética, fundamentação dos fatos, apuração da verdade, coragem – fora todas as outras coisas que aprendi e sigo aprendendo com ele, todos os dias.

 

Mas, mesmo sem ter podido trabalhar com ele em uma redação, também pude aprender muitíssimo com ele por meio de seus livros. São vários, todos eles disponíveis para download gratuito na Biblioteca do Blog. Mas meu favorito sempre foi o “Sucursal das Incertezas”. Ele foi lançado em 2007, em formato digital, já que meu pai sempre foi desconfiado de editoras”.

 

Naquele ano, eu estava me formando como jornalista pela UFMG e tive o privilégio de editar este livro. Bom, na verdade, pouco fiz como editora. Estava mais era aprendendo um bocado, porque o livro é uma verdadeira aula de jornalismo e de história do Brasil, com inúmeras memórias valiosas, lições preciosas e fatos, análises e opiniões sobre acontecimentos de um período difícil para o país, que foi o período da ditadura militar.

 

Sempre tive muito orgulho do meu pai, e da história dele. E sempre achei que a leitura de “Sucursal das Incertezas” deveria ser obrigatória em todas as faculdades de jornalismo, de história e em todas as redações do Brasil. Sério, formaríamos jornalistas muito melhores se todos tivessem contato com essas aulas. Porque, na minha humilde opinião, meu pai é o melhor jornalista que já passou por Minas Gerais!

 

A maior parte do livro é sobre a experiência dele como chefe de redação de sucursal do “Jornal do Brasil“, aqui em Belo Horizonte. Seu amigo e parceiro na profissão foi o Acílio Lara Resende, que dirigia a sucursal. Foi ele que escreveu a apresentação para o livro, na qual reforça que ele traz inúmeras lições de jornalismo e até de vida (o grifo em negrito é meu).


"O jornalista José de Castro é um mineiro típico, nascido em 1944 na zona rural de Luz, no Oeste de Minas. Filho de família numerosa, começou a trabalhar muito cedo, ainda na fazenda do pai, onde nasceu e viveu até os nove anos, até se mudar para Lagoa da Prata, quando pisou pela primeira vez numa sala de aula.

 

Depois, aos 15, nas alfaiatarias de Eurico Teixeira Malta, onde aprendeu a costurar calças, e de Luiz Duarte (nesta, também ajudava a administrar a primeira banca de revistas da cidade). Finalmente, na Refinaria Gabriel Passos, na qual terminou no cargo de operador de utilidades, na subestação elétrica.

Só aos 25 anos foi estudar jornalismo, na UFMG. Com a sensibilidade à flor da pele, numa conversa, escuta mais do que fala. Oralmente, se expressa às vezes pouco, outras com (aparente) dificuldade, como qualquer mineiro que se preza.

 

Sua memória é de elefante, mas é sua. (…) É preciso dizer, antes de tudo, que o jornalista José de Castro jamais traiu sua memória, muito menos sua consciência. Limitou-se a dizer aquilo que, à sua maneira, observou, leu, ouviu e viu. Objetivo, seu texto é escorreito, digno do profissional que sempre foi. Só que, a partir de agora, dá sinais evidentes de que, em silêncio, por trás do repórter arguto, se escondia o escritor, que trata, com graça e respeito, a sua matéria-prima – o texto, que é tanto de um quanto de outro.

 


José de Castro autografando a nova dição de "Sucursal das Incertezas"
José de Castro autografando a nova dição de "Sucursal das Incertezas"

Seu livro, que se lê de uma só tacada (em mim, provocou uma enxurrada de lembranças), contém lições importantes de jornalismo, pois foi isso – jornalista – que ele soube ser, em todos os instantes, a ponto de ter transmitido a duas filhas a (ingrata?) vocação. O livro interessa ao leitor de um modo geral e, em particular, aos profissionais e estudantes de jornalismo.

O título do livro vem das incertezas da sua profissão (ou, quem sabe, da própria vida), sobretudo em um país que tem passado, ao longo de sua história, por repetidas turbulências institucionais. Como a última, que durou mais de duas décadas, na qual, em grande parte, tivemos que engolir juntos, e da qual, sempre que falamos dela, sentimos engulhos. Só que, da parte dele, há pelo menos uma certeza: com independência e destemor, durante mais de 30 anos, só buscou, na profissão que abraçou e da qual sempre soube guardar uma visão também crítica, a verdade, nada mais. Busca, aliás, que deveria ser de todos os seres humanos, independentemente de qualquer profissão. (…)”

 

Como não sentir orgulho de um pai assim? De alguém que sempre se pautou, e continua se pautando, apenas por esta palavrinha de tão imenso significado: VERDADE. Que, como bem disse Acílio, deveria ser a busca de todos nós, jornalistas ou não.

 

Acredito que a leitura deste livro do meu pai se faz ainda mais necessária nestes tempos sombrios em que estamos vivendo, em que a verdade está cedendo lugar, perigosamente, a distorções de informações em prol de interesses políticos. Uma época em que é tão fácil distorcer a verdade, espalhar desinformação, ou fake news, até mesmo com a ajuda das novas ferramentas de inteligência artificial. E ainda por cima uma época em que grupos da sociedade clamam pela volta da ditadura militar, pelo fechamento do STF, pela tortura dos grupos minoritários ou de quem pensa diferente etc.

 

A história é cíclica, por isso é tão importante conhecermos ela bem, como por meio da leitura deste “Sucursal das Incertezas”. Para evitarmos que seus períodos mais horrendos voltem a acontecer.


Com tudo isso em mente, e sempre cheia de orgulho pelo que meu pai fez em sua trajetória, resolvi revisar o livro de 2007, atualizando o texto para a nova ortografia, rediagramá-lo, para que a versão digital ficasse boa de ler, e ainda cadastrá-lo na Câmara Brasileira do Livro e imprimir uma pequena tiragem*. Para que essa história possa constar também na prateleira da minha biblioteca, e chegue às futuras gerações da família, com o devido autógrafo do autor 

 

Não mudei nem uma vírgula do teor do conteúdo propriamente dito, aquele publicado em 2007. Está tudo lá, para quem quiser ler. E volto a recomendar essa leitura a todos os que se interessam por jornalismo, especialmente os estudantes, pesquisadores, acadêmicos e também aos profissionais da área.

 

O livro impresso foi nosso presente de Dia dos Pais ontem, meu e das minhas irmãs Viviane e Mônica. Mas o livro digital segue sendo um presente do meu pai a todo mundo.

 

Fiz uma tiragem pequena da versão impressa, mais para a família. Mas algum dia ainda vou imprimir mais exemplares, para aqueles que, como eu, preferem ler livros feitos de papel e tinta. Quando isso acontecer, avisarei por aqui também, como sempre. Dificilmente haverá algum evento de lançamento, porque meu pai não gosta muito de ser o centro das atenções  Mas talvez possa ser vendido pelos Correios, como estou fazendo com o meu livro.


No mais, muito obrigada, papai! Por tudo o que você me ensinou, como pai e como jornalista, mas principalmente como ser humano. Feliz Dia dos Pais!”


 

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