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ARTIGO - Marcha-rancho de 1899, a mais tocada neste carnaval

  • Foto do escritor: Cefas Alves Meira
    Cefas Alves Meira
  • há 1 hora
  • 3 min de leitura

                                                                                       Hamilton Gangana*

 

José Ramos Tinhorão (1928-2022), jornalista especializado, era chamado de “sargento da música brasileira” , por sua postura exigente com relação a alguns princípios que defendia. Durante muitos anos, escreveu no Jornal do Brasil (RJ), e em um de seus artigos, disse uma verdade bem clara: “Não existe música velha e música nova, existe música boa e música ruim”. A ruim é tocada e logo desaparece, é esquecida, enquanto a música boa agrada aos ouvidos, tem vida longa, permanece na memória e entra para a história. Tanto que as melhores músicas, os clássicos, viraram “hinos” nacionais e são cantadas por gerações e gerações, entra ano, sai ano.


Nestes dias de carnaval você ouviu e continua ouvindo a melodia e os versos de um dos “hinos” brasileiros do carnaval de 2026 e deve saber cantar: “Ó abre alas!/Que eu quero passar(bis)/Eu sou da lira/Não posso negar(bis)/Ó abre alas! Que eu quero passar (bis)/Rosa de Ouro/É que vai ganhar!(bis). Melodia simples e letra fácil de memorizar, em ritmo de marcha-rancho, foi criada em que ano? Em 1899, no Rio de Janeiro, pela revolucionária musicista, instrumentista e compositora Chiquinha Gonzaga (1847-1905), que compôs também valsas, polcas e maxixes para o teatro e músicas para o entrudo carnavalesco carioca. Ela nasceu em Icaraí, Niterói, RJ.


O consagrado hino Abre Alas, a mais antiga marcha-rancho, está presente no atual arranjo musical da mensagem comercial de carnaval da Drogaria Araujo, é tema das chamadas promocionais da cobertura do Carnaval 2026 da importante rádio Itatiaia de BH e também está sendo ouvida nacionalmente, no rádio, na televisão e nas redes sociais, enriquecendo as mensagens de incentivo às comemorações carnavalescas nas peças publicitárias assinadas e autorizadas pelo governo federal.


Chiquinha Gonzaga bem que poderia estar entre nós para ouvir a sua música criada há 127anos, fazendo sucesso permanente. Se estivesse vivo, o exigente jornalista José RamosTinhorão bateria a mão no peito aberto: “Viram como eu estava certo?”. Em 2011, a revista Veja elegeu as 10 melhores músicas de carnaval e a marcha rancho Abre Alas ficou em quarto lugar.


Os carnavalescos do Rio antigo promoviam festas e desfiles do Cordão de Carnaval e pediram aos compositores que fizessem um “hino” para animar as folias e Abre Alas foi o vencedor, evirou um símbolo nacional de carnaval. Chiquinha Gonzaga criou outros sucessos musicais, como Atraente, Corta Jaca, Lua Branca e o tango Gaúcho. Filha de mãe escrava e pai branco, sofria com os preconceitos raciais, recebeu ótima educação, aprendeu música e casou aos 16anos com o português João Batista Fernandes, por imposição dos pais, normal naqueles tempos. Foi a primeira compositora, primeira pianista chorona (música de choro), a primeira mulher regente de música popular, lutou em defesa dos direitos autorais e dos movimentos abolicionistas, destacando-se pela inteligência e personalidade.


O segundo marido de Chiquinha Gonzaga morria de ciúmes dela e não permitia que a sua extravagante esposa participasse de atividades como musicista, pianista, compositora e também dos movimentos sociais da abolição da escravatura e da mulher independente, conforme os padrões na época. Em plena viagem de navio ao Paraguai, foi proibida pelo marido de tocar piano em público e ainda recebeu o ultimato machista: era ele, com as vontades dele, ou as atividades dela fora de casa. Ouviu o que não queria ouvir nunca na vida: “Bem, senhor, meu marido, eu não entendo a vida sem harmonia”. E não se tocou mais no assunto. Só piano, com harmonia.

                                                                               *Hamilton Gangana é publicitário

 

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