• Cefas Alves Meira

Humor perde a graça. Morre o cartunista Nani


Nascido em Esmeraldas, Nani veio para BH aos 20 anos, e daqui foi para o Rio, onde se projetou nacionalmente

Mineiro de Esmeraldas, na Grande BH, tendo iniciado sua carreira em Belo Horizonte e depois se projetado nacionalmente, morreu nesta sexta-feira em BH, aos 70 anos, o cartunista Ernani Diniz Lucas, o genial Nani.


Como fazia parte de grupo de risco, pois além da idade sofria de problemas hepáticos, Nani estava em Esmeraldas desde o início do ano, em total isolamento. Mas a Covid-19 conseguiu mesmo assim pegá-lo; o chargista foi infectado e veio no início deste mês para a capital, onde ficou internado uma semana, até falecer hoje.


Ascensão rápida

Ernani Diniz Lucas saiu aos 20 anos de Esmeraldas para se radicar em BH, onde começou fazendo charges para o Estado de Minas. Anos mais tarde Nani foi para o Rio, onde consolidou sua carreira, colaborando, entre outros jornais, para o saudoso O Pasquim, O Globo, Jornal dos Sports, Última Hora e O Dia.

Ele foi o criador da tira Vereda Tropical, publicada em vários jornais brasileiros na década de 1980.


O cartunista mineiro era também escritor e roteirista, tendo trabalhado lado a lado na Rede Globo com Chico Anysio, nos programas humorísticos do gênio cearense.


Nani escreveu diversos livros, como “Humor Politicamente Incorreto”, “Juízo Final”, “É Grave, Doutor?”, “Não é Só Você Quem Quer Matar o Governador”, “Feliz e Orgulhoso, Envaidecido Mesmo”, “Foi Bom pra Você?” e “Humor de Bar”. Este ano, lançou em 31 de agosto “Tem outra palavra na palavra”. Autor também do site “Nani Humor”, a última postagem do cartunista foi dia 23 de setembro.


Amigos inconformados

Ele deixou inconformada uma legião de amigos. O também cartunista, ilustrador e animador Allan Sieber não escondeu sua revolta: “Nani, o homem que já desenhou todos os cartuns possíveis, se foi, vítima da maldita Covid. Tive o prazer e a honra de trabalhar com ele. Quantas historias absurdamente engraçadas ele tinha!! Um abraço em toda a família”.


Adão Iturrusgarai, cartunista da Folha de São Paulo, postou uma foto com o mineiro em uma mesa de bar. “Acabo de ficar sabendo que o cartunista Nani morreu de Covid. Gente boa, prolífico, dono de um traço da mesma escola do Wolinski. Há poucos dias conversei com ele e comentei que foi assunto de um papo meu com o Jaca, que também o admira muito. Vá em paz, amigo”, disse.


Outro cartunista famoso, Laerte, amigo de décadas do esmeraldense, enviou ao companheiro de lidas humorísticas uma mensagem consternada: “Beijo, Nani. Obrigada por tanta graça que deixou pra gente”, agradeceu.


Nani deixa dois filhos, Juliano e Danilo; uma neta, Manuela; e a esposa Inez.


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