• Cefas Alves Meira

Hélio Faria. Quando a arte também é sepultada

Atualizado: Set 23

BH nublada, uma chuva rala, sol escondido e, acredito, também entristecido, como todo o mercado mineiro de comunicação. Foi este o cenário do sepultamento, hoje, terça 22, às 14h30m, do publicitário

Hélio Jardim Faria. Ou simplesmente Hélio Faria, pai do Helinho, Fred e Cid, todos também publicitários, e marido de Ângela, carinhosa e inseparável companheira e amiga.

Hélio faleceu na manhã de ontem, 21, aos 91 anos de idade. Devido à atual conjuntura, a família preferiu que velório e enterro fossem o mais discreto possível, não divulgando nem horário nem local do sepultamento, para não atrair os milhares de admiradores do criativo, evitando aglomeração.

Um dos fundadores da publicidade mineira, e um dos artistas plásticos mais completos, o diretor de arte Hélio Faria sempre teve seu tempo dividido entre o nanquim dos anúncios e os pinceis de seus exuberantes quadros. Até que esse duelo aguerrido em seu intelecto foi vencido por um dos aguerridos espadachins: as artes plásticas. As últimas três décadas de vida de Hélio foram dedicadas às telas.

AMP CONTA HÉLIO FARIA

Como redator da página Arte Final, do “Estado de Minas”, editada pelo saudoso Edison Zenóbio, fiz, durante as quase três décadas em que trabalhei nos Associados, diversas entrevistas com “Seu Hélio”. Seja falando das campanhas criadas por sua agência, a Faria Associados, ou discorrendo sobre o mundo as artes plásticas.

Mas fala quem pode, conhece do assunto, e prefiro divulgar nota emitida ontem, segunda-feira, pela Associação Mineira de Propaganda, a AMP, entidade presidida pelo também publicitário José Luiz da Silva.

Publicidade e a arte mais tristes

“Morreu hoje em BH aos 91 anos, Hélio Faria o publicitário e artista plástico consagrado. Coleciona alguns dos mais importantes prêmios da publicidade, o que faz dele um dos grandes nomes da profissão em Minas Gerais e no Brasil. Aos 88 anos de idade, ele se preparou para mais um importante marco em sua carreira artística: o lançamento de seu livro “Arte Sacra – 50 anos de artes plásticas”.

Paralelamente ao trabalho como publicitário, Hélio Faria se entregou também às artes plásticas, com a qual expressa todo o seu talento em óleo sobre tela. Já são mais de 50 anos dedicados à pintura de milhares de obras, que tratam, especialmente, da arte sacra e do barroco mineiro.

Homem de fé, Hélio Faria desenvolveu um estilo único, fazendo da sua arte uma extensão da sua religiosidade. Nas telas, ele retrata algumas das passagens mais emocionantes da Bíblia nas ladeiras e montanhas de Minas Gerais, trazendo Jesus Cristo para perto dos mineiros.

Suas obras estão expostas em museus, igrejas e escolas de várias cidades. Uma delas foi feita exclusivamente para o Papa João Paulo II, e entregue pessoalmente ao sumo pontífice em visita ao Vaticano. A tela “A entrada do Papa em Belo Horizonte” é uma das seletas obras expostas no núcleo oficial da Igreja Católica e encontra-se no apartamento Borghia, na área moderna do Museu do Vaticano.

As pinturas de Hélio Faria tocam adultos e crianças e deixam evidentes o permanente desejo do artista de fazer uma arte alegre e infantil, que satisfaça aos grandes e pequenos. Mais do que retratar as diferentes fases da vida e obra do artista plástico, o livro “Arte Sacra” tem a intenção de fazer com que as pessoas se sintam mais perto de Deus. “Procuro, de certa forma, produzir inspirado pela educação infantil e motivado por uma mesma pedagogia cristã. Como disse Jesus, ‘vinde a mim os pequeninos’”, afirmou o artista.

Exposições e livros

Como artista plástico, realizou diversas exposições em Minas, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Santa Catarina. Possui centenas de telas expostas em todo o mundo, tornando-se referência em arte sacra contemporânea no Brasil.

Hélio Faria tem ainda 24 livros publicados, tendo dedicado parte importante da sua carreira à literatura infanto-juvenil. Em 1999, sua obra “Nosso Irmãozinho Menor” foi o único livro católico editado em húngaro, idioma nativo homenageado na feira de literatura de Frankfurt, naquele ano”.

Atuante

Na publicidade, Hélio Faria trabalhou como layoutman, desenvolvendo algumas das principais campanhas publicitárias nos anos 1970, 80 e 90. Ele foi fundador e presidente da Associação Mineira de Propaganda (AMP), principal órgão representativo da profissão no Estado.

Também foi diretor de arte e fundador de grandes agências de publicidade em Minas: Asa Criação de Publicidade, BH Office, L&F Lacerda e Faria Publicidade.

Seu talento lhe garantiu importantes prêmios, como Grande Prêmio JB (1966 a 1967); Publicitário do Ano (1967); Grande Prêmio Estado de Minas (1970); Prêmio Colunista (1974 e 1975); e Mérito Legislativo na Câmara Municipal de Belo Horizonte (1982).

Descanse em paz amigão, GRANDE HÉLIO FARIA!”


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