• Cefas Alves Meira

Forest Hills, o motel dos bichos, fecha as portas


As campanhas mais difíceis de serem viabilizadas, segundo os papas da propaganda, são as de preservativos, papel higiênico e motéis. Mas a agência Lápis aceitou o desafio e durante mais de duas décadas trabalhou a comunicação do motel Forest Hills, que fechou as portas no último 30 de junho.


O Forest Hills era tido como um dos motéis mais caros de Belo Horizonte. Um pernoite de nove horas custava R$ 1.260 reais em dias de semana. Sexta, sábado, domingo e feriados, 1.354 reais pelas mesmas nove horas.


O motel do grupo Maquiné, dono também do Green Park, teve campanhas fantásticas criadas pela Lápis Raro, com os criativos da agência desenvolvendo peças – sobretudo anúncios e outdoors – utilizando como estratégia linguagem de um humor inteligente, sem apelo explícito à sensualidade.


Quebrou paradigmas

“Essa forma de comunicar posicionou o Forest Hills como marcas de destaque no mercado de motéis, pois quebrou paradigmas em relação ao que geralmente era trabalhado no segmento. E em um segmento onde a diferenciação era pequena, isso foi essencial para a sobrevivência do negócio”, afirma Stephanie Tupy da Fonseca, gerente de Branding e Performance da agência.

.


Carla Madeira, sócia e diretora de Criação da Lápis Raro, fala sobre a primeira ação desenvolvida para o novo cliente, em 1995. “Quem imaginaria uma campanha de motel estrelada por bichos? Para as peças irem para as ruas em 1995, sem sofrer censura, sem sexualidade apelativa, a estratégia foi explorar o humor, de maneira bem sutil. A campanha foi superpremiada e a aceitação do público foi ótima, repercutindo inclusive em muitos veículos da época”, frisa a publicitária.


Carla sente saudades dos trabalhos desenvolvidos para o Forest Hills. “Foi uma experiência maravilhosa. A gente teve a oportunidade de fazer muita coisa criativa, coisas que mexeram muito com a cidade. As pessoas se envolveram, gerou muito resultado, com o motel ficando conhecido, querido. As pessoas tinham muito afeto por ele. Foi muito bom, foi sensacional, uma experiência incrível. A gente fez uma revolução na linguagem de comunicação de motel, fomos muito premiados pelos trabalhos que fizemos. O cliente teve insuperáveis resultados de ocupação. Simplesmente memorável!”


Monaline Alvarenga, gerente de Marketing do motel, observa que o Forest Hills, apesar de criado há 35 anos, era muito jovem. “A comunicação dele sempre foi e continuou assim até o último dia. O perfil no Instagram era divertidíssimo. Tinha uma brincadeira que os clientes adoravam, em que abríamos uma caixa de resposta pra eles perguntarem o que quiserem. As respostas eram carregadas de ironia e as pessoas amavam e se divertiam. Chegavam a mais de 200 mil interações por dia”, enfatiza.

Monaline relembra uma ação de comunicação marcante criada pela Lápis Raro para o Forest Hills.”Os ônibus circulavam em BH com anúncios do motel. O cliente que encontrasse, fotografasse e postasse no Instagram nos marcando, ganhava um super desconto. Foi um sucesso! A agência encontrou, no busdoor e outdoors, uma forma leve de falar com o público sobre motel”.

“Na época em que as campanhas foram criadas ainda não existiam rede social. Mas migraram com muita facilidade. Parece que elas haviam sido feitas pra este tipo de meio. A aceitação do público e o engajamento com esta comunicação foi enorme”, complementa Monaline.

138 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo