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  • Cefas Alves Meira

Câncer mata o jornalista e pensador João Paulo Cunha


João Paulo trabalhou 18 anos no jornal Estado de Minas, pedindo demissão em 2014 por ter um texto censurado

Faleceu nesta sexta-feira, de câncer no esôfago, o jornalista João Paulo Cunha. Também bacharel em psicologia, pedagogia e filosofia, tinha 63 anos, deixando como legado o “compromisso ético com o conhecimento”, como escreveu a também jornalista Ângela Faria, discorrendo sobre a morte do colega na edição on-line do jornal Estado de Minas


"Além de ter sido um editor atento e entusiasmado, João Paulo era um intelectual com uma grande virtude; escrevia com clareza sobre temas variados e densos. Seus textos sempre diziam muito ao leitor", observa Carlos Marcelo, diretor de redação do EM.


Defensor do SUS

Na Constituinte de 1988 o jornalista trabalhou na formulação de propostas para a implantação do Sistema Único de Saúde. “Não escondia o orgulho de ter ajudado a construir o SUS, com o propósito de garantir saúde ao povo brasileiro”, relata Ângela Faria.

João Paulo trabalhou 18 anos no Estado de Minas. Foi subeditor do “Gerais”, cargo que assumiu em 1996, saindo do caderno para comandar a editoria de “Cultura” e do suplemento “Pensar”. Orgulhoso de se dizer marxista e comunista, “sempre lutou pela democracia, pela liberdade de expressão e contra a exclusão social, a lamentável marca registrada do Brasil”, diz Ângela Faria. “Ele tinha a convicção de que é possível fazer do Brasil um país realmente democrático. E batalhava por isso”, complementa.


Censurado, demitiu-se

Pelas redes sociais, a presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, Alessandra Mello, consternada pelo falecimento de João Paulo, revela que, além do EM. o pensador foi também diretor da Rádio Inconfidência e da Rede Minas, presidente do Instituto Cultural BDMG e diretor da Casa de Jornalista. Autor dos livros “Penso, logo duvido”, “Em busca do Tempo Presente” e “Elomar, Cantador do Rio Gavião”, João Paulo ultimamente era colunista jornal Brasil de Fato MG.


A dirigente sindical lembra também que o jornalista pediu demissão do Estado de Minas em 2014, “por não concordar com censura imposta a um texto seu, contrário à linha política adotada pelo jornal, à época francamente favorável ao então candidato a Presidência, Aécio Neves. Deixou a redação sob aplausos. No dia seguinte, em homenagem a ele, todos os repórteres foram trabalhar de camiseta branca”, recorda Alessandra Melo.


João Paulo Cunha será velado amanhã, das 11h às 13h, na capela 4 do cemitério Parque da Colina. Deixa a esposa Cibele, a filha Joana Tavares, também jornalista, e a netinha Antônia.


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