• Cefas Alves Meira

ABA quer modificar relações agência-cliente e CENP reage


A atividade publicitária gera mais de 550 mil empregos e paga 2,4 bi de salários por ano

Com a saída, em janeiro, da Associação Brasileira dos Anunciantes (ABA) do Conselho Executivo das Normas Padrão (CENP), o clima entre as duas entidades não anda nada amistoso.

No início deste mês a ABA anunciou vai discutir uma nova regulamentação das relações entre agências e anunciantes. A resposta do CENP não se fez esperar. O Conselho, dando como justificativa a saída da ABA da entidade, fez um convite direto a dirigentes de marketing de anunciantes brasileiros de peso, para fazerem parte do órgão.


De acordo com o portal carioca Vitrine Publicitária, editado pelo jornalista e publicitário Márcio Erlich, em comunicado ao mercado o presidente do CENP, Caio Barsotti, revelou que de oito nomes convidados a atuar na entidade, cinco já foram definidos. São eles Ariel Grunkraut (VP de Vendas, Marketing e Tecnologia do Burger King), Hermann Mahnke (diretor executivo de Marketing para a América do Sul da GM), Igor Puga (diretor de Marketing e Marca do Santander), Ilca Sierra (diretora de Marketing Multicanal e Marca da Via Varejo), e Mauro Madruga, (superintendente de Mercado e Operações na Unimed-Rio).


Respaldo

A reestruturação do conselho do CENP foi definida em uma assembleia das quais participaram as entidades nacionais mantenedoras do Cenp - Abap, Abert, ABMN, ABOOH, ABTA, Aner, ANJ, Central de Outdoor, Fenapex e Fenapro.


Márcio Erlich observa que a reação do CENP é respaldada totalmente pelas entidades, citando declaração de Mário D’Andrea, presidente da Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap: “Não podemos mais ouvir clientes falando pela boca de advogados. É preciso ouvir pela boca do profissional de marketing”.


Nova regulamentação

Sobre o novo modelo de relacionamento entre agências e anunciantes anunciado pela ABA. A presidente da entidade, Nelcina Tropardi, explicou que a associação procura agora “uma autorregulamentação transparente, ética e justa para nosso mercado, e que represente um movimento que acompanha o mundo em que vivemos, cuja velocidade de mudança e modernização segue em ritmos acelerados”.


Ainda segundo o Vitrine Publicitária, os anunciantes querem implantar a livre negociação em toda cadeia de suprimentos, desconsiderando, por exemplo, as tabelas gradativas de desconto que o CENP estabelece, dependendo da verba de mídia. Outra decisão é acabar com a obrigatoriedade de certificações (principalmente junto ao CENP) para as agências terem algum tipo de benefício dos veículos.


Abap reage

Contestando a postura da Associação Brasileira dos Anunciantes, o presidente da Abap, Mario D’Andrea, destaca que “o mercado precisa ouvir os verdadeiros atores que constroem nossa atividade. Publicitários, veículos e profissionais de marketing. E o fórum hoje para isso é o CENP”.


Mas admite que há coisas a mudar nas normas atuais. “Temos sim que atualizar e modernizar nosso modelo, em função do novo mercado. Mas não se constrói nada sozinho. E muito menos se joga tudo fora. A pergunta que temos que nos fazer é: a quem interessa jogar fora tudo que construímos’?”.


E complementa: “Produzimos 555 mil empregos diretos e indiretos, pagamos 2,4 bilhões de salários por ano, e multiplicamos riquezas de milhares de empresas nacionais e internacionais no solo brasileiro”.

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